Varizes

Varizes: quando é hora de operar?

Muitas pessoas convivem com varizes por anos sem saber exatamente quando chega o momento de tratar. Em alguns casos, elas causam apenas desconforto leve. Em outros, passam a trazer dor, inchaço, sensação de peso nas pernas, alterações de pele e risco de complicações.

A dúvida mais comum no consultório é: quando as varizes precisam de cirurgia?

A resposta não depende apenas da aparência das veias. A decisão de operar leva em conta sintomas, impacto na qualidade de vida, presença de refluxo venoso no ultrassom Doppler, risco de complicações e o momento ideal para tratar com segurança.

Hoje, além da cirurgia convencional, existem técnicas minimamente invasivas, como o laser endovenoso, que ampliaram as possibilidades de tratamento. Ainda assim, a indicação continua sendo individualizada. O mais importante é entender que nem toda variz precisa operar imediatamente, mas também não se deve esperar a doença avançar para agir.

O que são varizes?

Varizes são veias dilatadas e tortuosas que causam acúmulo de sangue nas pernas e aumento da pressão dentro das veias.

Elas podem causar:

  • sensação de peso nas pernas
  • cansaço ao final do dia
  • inchaço
  • escurecimento da pele
  • tromboflebite
  • sangramento
  • úlcera venosa em casos mais avançados

Embora muitas pessoas associem varizes apenas ao aspecto visual, a doença venosa crônica pode evoluir progressivamente quando há refluxo importante e hipertensão venosa mantida.

Quando a cirurgia de varizes costuma ser indicada?

Na prática, existem alguns critérios clássicos que ajudam a definir quando vale a pena considerar o procedimento. O tratamento cirúrgico ou minimamente invasivo costuma entrar em cena quando a doença deixa de ser apenas um achado e passa a causar sintomas, complicações ou risco real de progressão.

  1. Sintomas persistentes, mesmo com tratamento clínico

Essa é uma das indicações mais frequentes.

Muitos pacientes apresentam:

  • peso nas pernas
  • cansaço
  • dor
  • inchaço, principalmente no fim do dia
  • piora após longos períodos em pé ou sentado

Esses sintomas costumam melhorar com medidas clínicas, como:

  • meias elásticas de compressão
  • atividade física regular
  • perda de peso
  • redução do tempo prolongado em pé ou sentado
  • uso de medicações flebotônicas em casos selecionados

Quando, apesar dessas medidas, o paciente continua sintomático ou não consegue se adaptar a elas, a intervenção passa a fazer mais sentido. Isso acontece porque, nesse cenário, o problema não está sendo controlado adequadamente apenas com medidas conservadoras.

Em resumo: se os sintomas persistem e impactam a rotina, é hora de considerar o tratamento.

Trombose venosa profunda
  1. Quando há indicação por impacto estético

Nem toda indicação cirúrgica está relacionada a urgência ou gravidade. Em muitos pacientes, as varizes causam desconforto importante com a própria aparência das pernas, interferindo na autoestima, nas roupas que usam e até no convívio social.

Para melhor resultado estético, damos preferência ao uso de laser (endovenoso e transdérmico), sempre que indicado.

Queixa estética também é uma indicação de tratamento, independentemente de comprometimento funcional.

varizes
  1. Presença de complicações das varizes

Quando as varizes já causaram complicações, a indicação de tratamento se torna muito mais forte.

As principais complicações incluem:

  • úlceras venosas, geralmente na região do tornozelo
  • dermatite ocre e eczema venoso, com escurecimento e inflamação da pele
  • varicorragia, que é o sangramento de uma veia varicosa
  • tromboflebite superficial, com dor e endurecimento da veia

Nesses casos, não se trata apenas de aliviar sintomas ou melhorar a aparência. O objetivo passa a ser evitar progressão da doença, reduzir novos episódios e controlar a hipertensão venosa responsável pelas lesões.

Se a variz já complicou, a tendência é que o tratamento deixe de ser opcional e passe a ser fortemente recomendado.

Manchas escuras nas pernas
  1. Risco elevado de complicações futuras

Mesmo antes de uma complicação aparecer, há pacientes em que o risco de progressão é alto.

Isso costuma acontecer quando o ultrassom mostra:

  • refluxo venoso importante
  • veias muito dilatadas
  • trajeto venoso bastante comprometido
  • sobrecarga venosa significativa

Nessas situações, operar ou tratar precocemente pode evitar que a doença avance para fases mais difíceis de controlar. Esse raciocínio é importante porque, em doença venosa, muitas vezes o paciente espera “ficar pior” para decidir tratar — e isso nem sempre é o melhor caminho.

Em alguns casos, a cirurgia não é apenas corretiva — ela também é preventiva.

varizes de risco elevado
  1. Idade limítrofe para o procedimento

Este é um critério pouco conhecido pelos pacientes, mas que faz muita diferença na prática médica. Pacientes com varizes moderadas ou graves, que estão se aproximando de uma idade limítrofe para a realização segura do procedimento, devem ser avaliados com mais atenção.

Com o avanço da idade, o risco cirúrgico naturalmente aumenta. Além disso, podem surgir comorbidades, como hipertensão, diabetes e insuficiência cardíaca, que dificultam a realização do procedimento no futuro. Outro ponto importante é a redução do nível de atividade física ao longo dos anos. Andamos menos, nos exercitamos menos — e isso contribui para piora dos sintomas venosos e aumento do risco de complicações.

Portanto, mesmo na ausência das indicações clássicas, pode ser prudente considerar o tratamento em um momento mais favorável, enquanto o risco é menor — antes que a doença avance e o procedimento se torne mais complexo ou até inviável.

Essa indicação tem perdido força com o avanço de técnicas menos invasivas, como o laser realizado em ambiente ambulatorial. Ainda assim, a avaliação com ultrassom Doppler continua sendo fundamental para entender a anatomia venosa e planejar o melhor momento e tipo de tratamento.

Cirurgia sempre é necessária?

Não.

Muitas pessoas com varizes podem ser acompanhadas por bastante tempo com tratamento clínico, principalmente quando:

  • os sintomas são leves
  • não há complicações
  • o refluxo não é importante
  • não há incômodo estético
  • o paciente responde bem a medidas conservadoras

Além disso, nem todo tratamento significa cirurgia convencional. Em muitos casos, o paciente pode se beneficiar de técnicas modernas e minimamente invasivas, com recuperação mais rápida e menor impacto na rotina.

Como decidir se está na hora de operar?

A decisão depende de uma avaliação completa, que inclui:

  • história clínica detalhada
  • intensidade e padrão dos sintomas
  • exame físico
  • ultrassom Doppler venoso
  • presença de refluxo
  • risco de complicações
  • impacto na qualidade de vida

Em muitos casos, a aparência da veia sozinha não define a indicação. O que pesa de verdade é o conjunto: sintomas, hemodinâmica venosa e evolução da doença.

Qual médico avalia essa indicação?

O profissional indicado é o angiologista ou cirurgião vascular.

A consulta com um especialista em vascular permite entender:

  • se há refluxo importante
  • qual veia está comprometida
  • se o melhor caminho é acompanhar, tratar clinicamente ou intervir
  • qual técnica faz mais sentido para cada caso

Se você procura um especialista em vascular em São Paulo, o ideal é fazer essa avaliação antes que as varizes avancem ou comecem a complicar.

Conclusão

A hora de operar varizes não é definida apenas pelo tamanho das veias ou pela aparência das pernas. A decisão depende de um conjunto de fatores, especialmente:

  • sintomas persistentes
  • queixa estética
  • impacto na qualidade de vida
  • complicações já instaladas
  • risco de progressão
  • momento clínico favorável para tratar

Hoje, com cirurgia tradicional e técnicas minimamente invasivas, o tratamento pode ser planejado de forma muito mais individualizada.

Se você tem varizes e quer entender se está no momento de tratar, a avaliação com um especialista é o melhor caminho.

 

FAQ – Perguntas frequentes

Toda variz precisa operar?

Não. A indicação depende de sintomas, refluxo, risco de complicações e impacto na rotina.

Varizes estéticas também podem ser tratadas?

Sim. Desde que haja avaliação adequada para definir a melhor técnica para o caso.

Quando a cirurgia deixa de ser apenas opcional?

Quando existem sintomas persistentes, complicações ou risco importante de progressão.

O ultrassom Doppler é obrigatório?

Ele é fundamental na maioria dos casos para confirmar refluxo, mapear as veias e planejar o tratamento.

Laser substitui a cirurgia tradicional?

Em muitos casos, sim. Mas nem sempre. Há situações em que a cirurgia convencional continua sendo uma boa indicação.

Esperar muito pode piorar?

Sim. Em alguns pacientes, adiar o tratamento favorece progressão da doença e aparecimento de complicações.

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